quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Enquanto eu faço a lista
ELA: Você está me enviando mensagens para o e-mail que uso como back up... Quase nunca o abro e só hoje vi suas mensagens antigas...
ELE: Tá bom, em qual dos seus três endereços você prefere receber minhas mensagens?
ELA: Queridinho, prefiro este aqui. Um eu uso para assuntos urgentes e outro, como já disse, só para back up. Aliás, como você conseguiu esse endereço já que não divulgo nunca?
Mudando... como anda a família? Vieram para o reveillón escondidos novamente? Poderiam ter ligado, hein?
Por aqui, vamos bem. Eu cansei da vida vagabunda e penso agora sossegar. Você tem algum amigo que queira uma namorada bacana, sem muitas neuroses, que não sufoca, nem reprime companheiro, com alguma cultura e que gosta de tipos variados de programa (Maracanã é exceção – uma vez por ano no máximo! Mas não se incomoda que o gajo vá ver seus jogos com amigos) e que goste de cachorro? Se conhecer, pode mostrar minha foto e dar meu telefone.
Mil beijinhos para a família toda,
ELE: Queridinha, seja feita a sua vontade. Esta sua última mensagem provocou em mim dois sentimentos distintos: O primeiro foi me sentir uma pessoa especial por ter seu endereço particular. O segundo foi a preocupação com aquilo que eu chamo do “Advento da Idade Avançada”, pois suas informações do outro endereço estão na rede social Y. Aparece lá...
ELA: Pronto! Y atualizado! Favor não ignorar minha solicitação: apresente-me um amigo disponível, bacana e carinhoso!
ELE: Aqui da terra? Vai namorar virtualmente? O que entende por disponível?
ELA: aiaiai! Tico e Teco não estão conversando hoje por aí? É o calor??? CLARO que não é daí, é daqui mesmo! CLARO que disponível quer dizer que não tenho interesse em homens comprometidos (namorado, casado, juntado, etc). Entendeu ou precisa que eu desenhe???
ELE: Alguma chance de subir serra?
ELA: Ahhhhhhh chega, né? O mais longe que me proponho a ir pelo coração é a Barra e se ele for MUITO posso chegar ao Recreio...
ELE: Vocês só querem molezinha, né? Também tem que ter grana, ser culto, bonito e não precisar de viagra, suponho...
ELA: Não, não, não.... Faço a lista bem explicadinha:
1) grana o suficiente para não me pedir para pagar o cinema dele TAMBÉM.
2) culto o bastante para conversar comigo e não ficar falando “aí, tá ligado?”
3) bonito é um conceito MUITO relativo. Ser charmoso e gentil é mais importante que beleza.
4) quanto ao viagra, se usa ou não é com ele, contanto que dê conta do recado...
Viu? Nem um pouco exigente.
ELE: Sei... Agora ficou mais fácil, tinha me esquecido dos detalhes gentileza e charme... Enquanto eu faço a lista, dá um trato nessa nossa conversa e vende como crônica para algum jornal para ver se, pelo menos, salva o final de semana!
ELA: Feita a vossa vontade. Agora arruma o gajo!
ELE: Tá bom, em qual dos seus três endereços você prefere receber minhas mensagens?
ELA: Queridinho, prefiro este aqui. Um eu uso para assuntos urgentes e outro, como já disse, só para back up. Aliás, como você conseguiu esse endereço já que não divulgo nunca?
Mudando... como anda a família? Vieram para o reveillón escondidos novamente? Poderiam ter ligado, hein?
Por aqui, vamos bem. Eu cansei da vida vagabunda e penso agora sossegar. Você tem algum amigo que queira uma namorada bacana, sem muitas neuroses, que não sufoca, nem reprime companheiro, com alguma cultura e que gosta de tipos variados de programa (Maracanã é exceção – uma vez por ano no máximo! Mas não se incomoda que o gajo vá ver seus jogos com amigos) e que goste de cachorro? Se conhecer, pode mostrar minha foto e dar meu telefone.
Mil beijinhos para a família toda,
ELE: Queridinha, seja feita a sua vontade. Esta sua última mensagem provocou em mim dois sentimentos distintos: O primeiro foi me sentir uma pessoa especial por ter seu endereço particular. O segundo foi a preocupação com aquilo que eu chamo do “Advento da Idade Avançada”, pois suas informações do outro endereço estão na rede social Y. Aparece lá...
ELA: Pronto! Y atualizado! Favor não ignorar minha solicitação: apresente-me um amigo disponível, bacana e carinhoso!
ELE: Aqui da terra? Vai namorar virtualmente? O que entende por disponível?
ELA: aiaiai! Tico e Teco não estão conversando hoje por aí? É o calor??? CLARO que não é daí, é daqui mesmo! CLARO que disponível quer dizer que não tenho interesse em homens comprometidos (namorado, casado, juntado, etc). Entendeu ou precisa que eu desenhe???
ELE: Alguma chance de subir serra?
ELA: Ahhhhhhh chega, né? O mais longe que me proponho a ir pelo coração é a Barra e se ele for MUITO posso chegar ao Recreio...
ELE: Vocês só querem molezinha, né? Também tem que ter grana, ser culto, bonito e não precisar de viagra, suponho...
ELA: Não, não, não.... Faço a lista bem explicadinha:
1) grana o suficiente para não me pedir para pagar o cinema dele TAMBÉM.
2) culto o bastante para conversar comigo e não ficar falando “aí, tá ligado?”
3) bonito é um conceito MUITO relativo. Ser charmoso e gentil é mais importante que beleza.
4) quanto ao viagra, se usa ou não é com ele, contanto que dê conta do recado...
Viu? Nem um pouco exigente.
ELE: Sei... Agora ficou mais fácil, tinha me esquecido dos detalhes gentileza e charme... Enquanto eu faço a lista, dá um trato nessa nossa conversa e vende como crônica para algum jornal para ver se, pelo menos, salva o final de semana!
ELA: Feita a vossa vontade. Agora arruma o gajo!
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
Os 40 de Bella
Bella fez 40. Fez festa, dança, batucada, noite estrelada e quente neste Forno de Janeiro em que se transformou a cidade. Noite de astral elevado. Noite de riso e comemoração. Muitos foram, alguns fizeram falta. Mas Bella e Bi, com as crianças em casa, dormindo como anjinhos, foram perfeitos anfitriões de linda festa. Gostaria de uma dessas a cada semana.
MPV – janeiro 2010
MPV – janeiro 2010
O filho do vento
As coisas são possíveis. Fazer acontecer. A imagem do sujeito dançando e agitando as pessoas ao redor ficou marcada em minha mente. Era vida. E uma vida bonita. Existia uma aura de paz ao redor dele. Uma pessoa de bem com a vida, quase um anjo, pelas contradições e pela absoluta certeza de que viver vale cada minuto. A certeza do não definitivo que habitava meu coração foi dar um passeio. Quero viver de bem com a vida e com tudo o que me é importante.
Ao filho do vento, com gosto de mar e pele macia, devo o retorno à vida que vale a pena, a percepção das orquídeas, o olhar atento às telas e desenhos que estão dentro de nós, o mergulho no mar quente e salgado e o retorno aos escritos, ao que sempre foi importante para mim e a tudo que releguei a quinto plano.
Algumas vezes fico pensando que gostaria de ter a oportunidade de falar para cada uma das pessoas que não têm a mais remota ideia da importância que exercem em nossa vida em um determinado momento, o que elas significaram para mim e como contribuiram de forma tão marcante para a construção da minha existência. Saber que um gesto pequeno, sem esforço, contribuiu tanto para a vida alguém, deve ser reconfortante.
Talvez algum dia eu tenha a oportunidade de, pelo menos, retribuir. Isso, se também não estiver fazendo a minha parte sem saber.
MPV – janeiro 2010
Ao filho do vento, com gosto de mar e pele macia, devo o retorno à vida que vale a pena, a percepção das orquídeas, o olhar atento às telas e desenhos que estão dentro de nós, o mergulho no mar quente e salgado e o retorno aos escritos, ao que sempre foi importante para mim e a tudo que releguei a quinto plano.
Algumas vezes fico pensando que gostaria de ter a oportunidade de falar para cada uma das pessoas que não têm a mais remota ideia da importância que exercem em nossa vida em um determinado momento, o que elas significaram para mim e como contribuiram de forma tão marcante para a construção da minha existência. Saber que um gesto pequeno, sem esforço, contribuiu tanto para a vida alguém, deve ser reconfortante.
Talvez algum dia eu tenha a oportunidade de, pelo menos, retribuir. Isso, se também não estiver fazendo a minha parte sem saber.
MPV – janeiro 2010
domingo, 27 de setembro de 2009
Back in Bahia - Gil
“hoje eu me sinto como se ter ido fosse necessário para voltar / tanto mais vivo de vida mais vivida, dividida pra lá e pra cá.”
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Tarjeta
Meu carro perdeu seu charme. Após seis anos carregando garboso a placa da serra, sendo único em minha garagem, minoria no meio do trânsito caótico da cidade grande, perdeu sua identidade, rasgou minha fantasia, ficou comum junto a tantos. Agora pode-se identificá-lo pelo número, pelo amassado na mala, pelo interior, mas não mais por sua tarjeta indicativa da cidade em que viveu e onde sonhou tanto. Agora, quando subir a serra, terá dúvidas nas curvas e não mais despertará inveja nos outros automóveis, tão turistas quanto ele. Não mais será tratado com reverência, como filho da terra, como conhecedor de todas as estradas que levam ao paraíso. Será mais um para atravancar as ruas estreitas em feriados, mais um usurpador da tranquilidade alheia. Após a tarjeta de sua placa ter sido arrancada sem cerimônia pelo sujeito truculento, apenas dois elos me ligam à serra de minha vida.
MPV – julho 2009
MPV – julho 2009
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Maresia
Ai, esse cheiro de maresia que invade meu nariz sonolento, meus sonhos futuros, esse aroma de infância, de mergulhos no mar, de andanças na praia, de crescer e viver em uma cidade que aspira a maresia. Fecho os olhos, respiro e todo esse cheiro de maresia embalará meus sono, quisera eu mergulhar lá ali aqui pertinho agora.
MPV – junho 2009
MPV – junho 2009
quarta-feira, 20 de maio de 2009
A Mesma História
Fontes seguras informam sem hesitar,
Dizem as más línguas,
Que na travessia do hemisfério Sul para o Norte
Que no voo internacional São Paulo-Miami,
Após uma semana de comemorações inesquecíveis,
Após uma semana enchendo a cara de cachaça,
A moça bonita, delicada e cheirosa,
A bebum farrista com hálito de álcool,
Que não consegue descansar em aviões,
Que nunca dorme naquela caixinha infernal de poltronas apertadas,
Encontrou uma posição confortável,
Encostou no ombro da velha gorda sentada ao lado,
E adormeceu serenamente.
E dormiu de roncar e babar no ombro da velha.
Mais tarde, foi gentilmente acordada pela doce aeromoça,
Lá pelas tantas, foi sacudida pela aeromoça impaciente,
Perguntando se a moça bonita estaria com fome,
Perguntando se a bebum queria comer,
Servindo, em seguida, um apetitoso jantar.
Entregando, em seguida, uma gororoba inominável.
No momento do jantar,
Para comer a gororoba,
A moça bonita saiu de sua posição inicial e esticou os braços, suspirando,
A bebum desencostou da velha resmungona e se espreguiçou, bocejando alto,
E calmamente apreciou o banquete.
E se atracou com a comida que não via há mais de doze horas.
Terminado o serviço de bordo,
Terminado o corre-corre das aeromoças,
A moça bonita e cheirosa se acomodou novamente para descansar.
A bebum com cheiro de álcool desmaiou novamente no ombro da velha gorducha.
Ao chegar em seu destino,
Quando chegou,
A moça bonita e cheirosa,
A farrista alcoolizada,
Espantada, exclamou em doce voz:
Espantada, berrou:
“Nossa, é a primeira vez que consigo adormecer por tanto tempo em um avião!”
“Putz! É a primeira vez que consigo desmaiar durante o voo.”
“Também... Fiquei tão cansada durante a semana...”
“Também... Bebi todas durante a semana!”
MPV – maio, 2009
Dizem as más línguas,
Que na travessia do hemisfério Sul para o Norte
Que no voo internacional São Paulo-Miami,
Após uma semana de comemorações inesquecíveis,
Após uma semana enchendo a cara de cachaça,
A moça bonita, delicada e cheirosa,
A bebum farrista com hálito de álcool,
Que não consegue descansar em aviões,
Que nunca dorme naquela caixinha infernal de poltronas apertadas,
Encontrou uma posição confortável,
Encostou no ombro da velha gorda sentada ao lado,
E adormeceu serenamente.
E dormiu de roncar e babar no ombro da velha.
Mais tarde, foi gentilmente acordada pela doce aeromoça,
Lá pelas tantas, foi sacudida pela aeromoça impaciente,
Perguntando se a moça bonita estaria com fome,
Perguntando se a bebum queria comer,
Servindo, em seguida, um apetitoso jantar.
Entregando, em seguida, uma gororoba inominável.
No momento do jantar,
Para comer a gororoba,
A moça bonita saiu de sua posição inicial e esticou os braços, suspirando,
A bebum desencostou da velha resmungona e se espreguiçou, bocejando alto,
E calmamente apreciou o banquete.
E se atracou com a comida que não via há mais de doze horas.
Terminado o serviço de bordo,
Terminado o corre-corre das aeromoças,
A moça bonita e cheirosa se acomodou novamente para descansar.
A bebum com cheiro de álcool desmaiou novamente no ombro da velha gorducha.
Ao chegar em seu destino,
Quando chegou,
A moça bonita e cheirosa,
A farrista alcoolizada,
Espantada, exclamou em doce voz:
Espantada, berrou:
“Nossa, é a primeira vez que consigo adormecer por tanto tempo em um avião!”
“Putz! É a primeira vez que consigo desmaiar durante o voo.”
“Também... Fiquei tão cansada durante a semana...”
“Também... Bebi todas durante a semana!”
MPV – maio, 2009
terça-feira, 19 de maio de 2009
Vinte anos sem nós
E num piscar de olhos os anos voaram, passaram sem que sentíssemos, sentindo minuto a minuto que não estávamos ali onde éramos suposto estar. Não há fotos, não há lembranças, não há momentos passados, não há risos inesquecíveis. Não estivemos juntos nos casamentos, nascimentos, no crescimento, não vivemos.
Vinte anos sem nós mesmos. E agora, o outono, já no inverno, tentamos rir o que ficou preso, beber os brindes não feitos, até cair, literalmente, no chão, rolados da cama. Somos carregados no colo das emoções não vividas e choramos novamente quando o tempo voa e é hora de partir. Cada um em um canto do planeta, tentando reconstruir em breves reencontros o lego familiar que ficou sem telhado.
A lacuna irrecuperável em nossa linha da vida, essa jamais será preenchida, já passou e não estávamos lá.
MPV – maio 2009
Vinte anos sem nós mesmos. E agora, o outono, já no inverno, tentamos rir o que ficou preso, beber os brindes não feitos, até cair, literalmente, no chão, rolados da cama. Somos carregados no colo das emoções não vividas e choramos novamente quando o tempo voa e é hora de partir. Cada um em um canto do planeta, tentando reconstruir em breves reencontros o lego familiar que ficou sem telhado.
A lacuna irrecuperável em nossa linha da vida, essa jamais será preenchida, já passou e não estávamos lá.
MPV – maio 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Espírito de Porco
PARA TERMINAR O MÊS DE ABRIL, A CONVERSA QUE COMEÇOU EM FEVEREIRO....
NANASHARA DIZ: Queridos Beibes, como Zébelê enrolou, enrolou e não conseguiu ainda enfiar o cabinho que liga o buraquinho da máquina de fotos ao computador e me enviar por email as fotos HÁ tempos imploradas, tive que apelar para imaginação e fui buscar algumas outras em arquivos alheios. AGORA... Se alguém aí quiser cd com as fotos originais isso vai ser outra estória... O filminho em anexo é para rir pelo passado e continuar tendo a capacidade de rir no presente e no futuro... Meu livrinho já ficou pronto mas, pelo andar da carruagem, é capaz de eu conseguir publicar o segundo antes de encontrá-los novamente. (E de receber as fotos do Zébelê!!!!!). Espero que o carnaval tenha sido bom, mas tenho cá minhas dúvidas se foi TÃO engraçado como já foi. É da vida... Mil beijocas, N.
Um PS se faz necessário: Para enviar o filmete por email, tive que configurá-lo em uma resolução mais baixa, perdendo qualidade. Na resolução boa, (não é a excelente) o arquivo fica com 16Mb. Só gravando em Cd. Quem quiser, avise, que eu gravo e troco pelas fotos do Zébelê.
RIROCA DIZ: ADOREI !!! Quero este CD com as fotos !!! Me entrega junto com o livro !!! Ai que delícia ver estas fotos e fazer parte destas histórias !!! bjssssssssssssssssss.
PEDROBABY DIZ: Realmente, vários suspiros depois (meio viadinho isso né!) estou me programando para reassistir o filme, em velocidade reduzida para saborear cada foto, relembrar os momentos, pensar nas pessoas que estavam juntas, em cada um e sua particularidade e que somaram tanto. Fala Zambelê meu camarada, pessoa tão especial. Rinoceronte !!!! É o bicho, a força, o equilíbrio... Fala Riroca, alegria em pessoa, ziriguidum na veia, com um mix holandês que se achou nessas praias Alagoanas. E fala Nanashara, cola, memória, centrada e desafio !!! Muitas vezes coruja (a que os outros chamam (nós) podemos chamar de mestre!) (todo mundo conhece a piada!) Em suma prazer em nos ver !!!! Relendo o mail: muito viadinho, mas já foi ...[]s
NANASHARA DIZ: Mago, sentimentos nunca são "viadinhos". São sentimentos. E é muito bom expressar. Adorei seus comentários. bjs, N.
ZÉBELÊ DIZ: Pessoal, estou meio perdido nesta historia, vendo as trocas de email... O fato é que não recebi filme nenhum, como este que o Baby viu rápido, fez comentários homoafetivos, e agora se programa para assistir devagar... Tenho certeza que foi vingança da nossa irmã "centrada" porque eu ainda não tive tempo de fazer o download das fotos do meu recentíssimo aniversário. O CD então, nem pensar (também é uma piada que todos conhecem)
NANASHARA DIZ: vai, zébelê, procê, anexado, mas em baixa qualidade. em boa resolução só quando eu gravar cd procês (16Mb) mas só gravo depois de receber as fotos do niver. bjs, N.
NANASHARA DIZ: Bom, galera, Mandei, DE NOVO, o email com o filmete prometido pro zébelê, que deve continuar bebendo xiboquinha em feira, pra não ter recebido. Mandei só pra ele pra não encher o saco de quem já recebeu e comentou. Os cds com o filme em boa resolução só gravo depois que ele disponibilizar as fotos do niver dele pranóis. bjs, N.
RIROCA DIZ: Epa !!! Agora quer dizer que só terei o meu CD depois que o Zamb liberar as fotos do niver ... mas isso pode levar mais 10 anos para acontecer ... protesto !!! Eu estou grávida e tenho prioridade total na liberação deste filme em CD !!! Ô Zamb ... deixa a xiboquinha de lado e libera logo essas fotos !!! Quanto aos comentários do nosso desconectado Lerdo quero dizer que também achei de uma sensibilidade fora do comum e que de homossexual não tem nada ... mas se vc se sentiu assim ... libera esse seu lado gay que você vai longe Lerdo ... rs. beijos, Ri.
ZÉBELÊ DIZ: Ainda não recebi nada. Além de vingativa, é torturadora... diz que mandou o filme só para criar expectativa, mas não manda nada... PS- Vou dar máxima prioridade em baixar as fotos do aniversário... Bjs
NANASHARA DIZ: vc deve ter um programa que bloqueia as mensagens grandes!!!!!!!!!!!!!!o filmete tem 7Mb vê se descobre, engenheiro!
PEDROLERDOBABYDIZ: iiiiHHHHHHH !!!!! Mexeu com os brios !!!!!! Engenheiro !!!! []s
ZÉBELÊ DIZ: Isto não é um filme, é um longa metragem. Mande para meu email de casa.
NANASHARA DIZ: não é longa não, zébelê! é curta! curtíssima!!!! mas vou tentar o email de casa, vamos ver se vai agora! Bjs.
NANASHARA DIZ: Caríssimos Fios de Beibe, irmãos! Andei ouvindo pelos corredores do Congresso Nacional, mais precisamente pelos novos habitantes, que Zébelê teria enviado as fotografias IMPLORADAS, tiradas no aniversário dele, para o meu humilde email, com capacidade ILIMITADA, diferentemente do dele, elitista, que se nega a receber mensagens enviadas pelos irmãos. Acho que Zébelê, depois que fez 51, achou que era uma boa ideia (aha! sem acento! já pela nova ortografia!!) e bloqueou o nosso acesso e se recusa a receber filmetes que deve achar bobos e infantis, realizados pela turma com menos de 50. Não querer receber o email é uma coisa, mas MENTIR descaradamente para uma grávida em repouso absoluto, só à espera do dia é crime de lesa-pátria! (esse hífen não sei se ainda existe, eles só complicaram com os hífens!!) Mano Zébelê merece castigo! Tô pensando seriamente em jogar na net fotos comprometedoras de um hipopótamo sem uma orelha para ele ver se aprende. Tenho dito! E ainda espero as fotos! E nada de enviar pelo picasa com aquela resolução xexelenta! Tô soltando fogo pelas ventas! Nana
ZÉBELÊ DIZ: estou sem tempo para responder tanto desaforo, mas com certeza esta irmã está doida. Não leu o email que mandei nem acessou as maravilhosas fotos do Picasa. Sds
PEDROLERDOBABY DIZ: Fotos de hipopótamo sem orelha??? Onde foi isto, África? Estou curioso... Boa ideia .. Zebelê... Fotos? Sds
NO MEIO TEMPO, PAUSA PARA O PARTO. NASCE O FILHO DE RIROCA. ELA ACOMPANHA A TROCA DESAFORADA, MAS ESTÁ ZEN NO PARAÍSO.
NANASHARA DIZ: Finalmente, depois de um longo e fervente verão, o Zébelê resolveu enviar míseras oito fotinhas do níver dele!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! e pelo picasa que tem a mais baixa resolução de todas as galáxias!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! zébelê precisa de puxão de orelha!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ZEBELÊ DIZ: Só vou dizer uma coisa: já tinha mandado estas fotos há mais de 2 MESES, você é que provavelmente deletou o meu email SEM LER. Sds
NANASHARA DIZ: zébelê, alto lá! primeiro, não deleto nenhum email sem ler, ainda mais de pessoas autorizadas em minha caixa postal
ZÉBELÊ DIZ: Se não deletou, é porque ainda nem nem leu, pois já tinha mandado há mais de um mês.
NANASHARA DIZ: é pq não chegou, dã........você fingiu que mandou, mas com a idade tá ficando mentiroso! NÃO CONSIGO VER NINGUÉM!!!!!!!!!!!!!
ZÉBELÊ DIZ: Compra óculos, porque eu consigo ver todo mundo.
NANASHARA DIZ: De novo! tem usado a lupa direitinho?????? toma tento e manda por email, mas esquece o picasa! isso não serve pra nada! no dia em que vc quiser uma foto para imprimir não vai ter nenhuma!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ZÉBELÊ DIZ: Para imprimir foto comigo aparecendo, só com autorização, senão eu processo.
NANASHARA DIZ: e eu lá vô querer imprimir foto de zébelê?!?!?! é só pra oiá mió....manda as fotos!
ZÉBELÊ DIZ: mando, mas esta operação pode demorar um pouco...
NANASHARA DIZ: Talvez antes dos sessenta, zébelê?!?!?
ZÉBELÊ DIZ: Quando receberem um email de ZEBELÊ não deletem correndo, como a nossa amiga NANA provavelmente fez, para não deletarem as fotos (isto, quando eu mandá-las, não sei quando será) Sds
NANASHARA PERDE AS ESTRIBEIRAS: putz grila!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! nunca vi piolho maior!!!!!!!!!!!!!!!!!!! manda as fotos, zébelê! vale como presente de aniversário, sábado, caso você não tenha anotado naagenda do mickey.... N.
ZÉBELÊ DIZ: Então vou antecipar os parabéns porque vou viajar para fora na sexta. Felicidades, muita saúde, paz e sucesso. TIRE MUITAS FOTOS. Beijo
NANASHARA DIZ: Zé, leva máscara! Cuidados com os porcos! Boa viagem, N.
ZÉBELÊ DIZ: vou voltar mascarado............ Sds
NANASHARA DIZ: não acredito!!!!!!!!!!!!!!!!!!! é o próprio espírito de porco! acho que quem começou essa gripe foi o Zébelê!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! N.
Um PS se faz necessário: Para enviar o filmete por email, tive que configurá-lo em uma resolução mais baixa, perdendo qualidade. Na resolução boa, (não é a excelente) o arquivo fica com 16Mb. Só gravando em Cd. Quem quiser, avise, que eu gravo e troco pelas fotos do Zébelê.
RIROCA DIZ: ADOREI !!! Quero este CD com as fotos !!! Me entrega junto com o livro !!! Ai que delícia ver estas fotos e fazer parte destas histórias !!! bjssssssssssssssssss.
PEDROBABY DIZ: Realmente, vários suspiros depois (meio viadinho isso né!) estou me programando para reassistir o filme, em velocidade reduzida para saborear cada foto, relembrar os momentos, pensar nas pessoas que estavam juntas, em cada um e sua particularidade e que somaram tanto. Fala Zambelê meu camarada, pessoa tão especial. Rinoceronte !!!! É o bicho, a força, o equilíbrio... Fala Riroca, alegria em pessoa, ziriguidum na veia, com um mix holandês que se achou nessas praias Alagoanas. E fala Nanashara, cola, memória, centrada e desafio !!! Muitas vezes coruja (a que os outros chamam (nós) podemos chamar de mestre!) (todo mundo conhece a piada!) Em suma prazer em nos ver !!!! Relendo o mail: muito viadinho, mas já foi ...[]s
NANASHARA DIZ: Mago, sentimentos nunca são "viadinhos". São sentimentos. E é muito bom expressar. Adorei seus comentários. bjs, N.
ZÉBELÊ DIZ: Pessoal, estou meio perdido nesta historia, vendo as trocas de email... O fato é que não recebi filme nenhum, como este que o Baby viu rápido, fez comentários homoafetivos, e agora se programa para assistir devagar... Tenho certeza que foi vingança da nossa irmã "centrada" porque eu ainda não tive tempo de fazer o download das fotos do meu recentíssimo aniversário. O CD então, nem pensar (também é uma piada que todos conhecem)
NANASHARA DIZ: vai, zébelê, procê, anexado, mas em baixa qualidade. em boa resolução só quando eu gravar cd procês (16Mb) mas só gravo depois de receber as fotos do niver. bjs, N.
NANASHARA DIZ: Bom, galera, Mandei, DE NOVO, o email com o filmete prometido pro zébelê, que deve continuar bebendo xiboquinha em feira, pra não ter recebido. Mandei só pra ele pra não encher o saco de quem já recebeu e comentou. Os cds com o filme em boa resolução só gravo depois que ele disponibilizar as fotos do niver dele pranóis. bjs, N.
RIROCA DIZ: Epa !!! Agora quer dizer que só terei o meu CD depois que o Zamb liberar as fotos do niver ... mas isso pode levar mais 10 anos para acontecer ... protesto !!! Eu estou grávida e tenho prioridade total na liberação deste filme em CD !!! Ô Zamb ... deixa a xiboquinha de lado e libera logo essas fotos !!! Quanto aos comentários do nosso desconectado Lerdo quero dizer que também achei de uma sensibilidade fora do comum e que de homossexual não tem nada ... mas se vc se sentiu assim ... libera esse seu lado gay que você vai longe Lerdo ... rs. beijos, Ri.
ZÉBELÊ DIZ: Ainda não recebi nada. Além de vingativa, é torturadora... diz que mandou o filme só para criar expectativa, mas não manda nada... PS- Vou dar máxima prioridade em baixar as fotos do aniversário... Bjs
NANASHARA DIZ: vc deve ter um programa que bloqueia as mensagens grandes!!!!!!!!!!!!!!o filmete tem 7Mb vê se descobre, engenheiro!
PEDROLERDOBABYDIZ: iiiiHHHHHHH !!!!! Mexeu com os brios !!!!!! Engenheiro !!!! []s
ZÉBELÊ DIZ: Isto não é um filme, é um longa metragem. Mande para meu email de casa.
NANASHARA DIZ: não é longa não, zébelê! é curta! curtíssima!!!! mas vou tentar o email de casa, vamos ver se vai agora! Bjs.
NANASHARA DIZ: Caríssimos Fios de Beibe, irmãos! Andei ouvindo pelos corredores do Congresso Nacional, mais precisamente pelos novos habitantes, que Zébelê teria enviado as fotografias IMPLORADAS, tiradas no aniversário dele, para o meu humilde email, com capacidade ILIMITADA, diferentemente do dele, elitista, que se nega a receber mensagens enviadas pelos irmãos. Acho que Zébelê, depois que fez 51, achou que era uma boa ideia (aha! sem acento! já pela nova ortografia!!) e bloqueou o nosso acesso e se recusa a receber filmetes que deve achar bobos e infantis, realizados pela turma com menos de 50. Não querer receber o email é uma coisa, mas MENTIR descaradamente para uma grávida em repouso absoluto, só à espera do dia é crime de lesa-pátria! (esse hífen não sei se ainda existe, eles só complicaram com os hífens!!) Mano Zébelê merece castigo! Tô pensando seriamente em jogar na net fotos comprometedoras de um hipopótamo sem uma orelha para ele ver se aprende. Tenho dito! E ainda espero as fotos! E nada de enviar pelo picasa com aquela resolução xexelenta! Tô soltando fogo pelas ventas! Nana
ZÉBELÊ DIZ: estou sem tempo para responder tanto desaforo, mas com certeza esta irmã está doida. Não leu o email que mandei nem acessou as maravilhosas fotos do Picasa. Sds
PEDROLERDOBABY DIZ: Fotos de hipopótamo sem orelha??? Onde foi isto, África? Estou curioso... Boa ideia .. Zebelê... Fotos? Sds
NO MEIO TEMPO, PAUSA PARA O PARTO. NASCE O FILHO DE RIROCA. ELA ACOMPANHA A TROCA DESAFORADA, MAS ESTÁ ZEN NO PARAÍSO.
NANASHARA DIZ: Finalmente, depois de um longo e fervente verão, o Zébelê resolveu enviar míseras oito fotinhas do níver dele!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! e pelo picasa que tem a mais baixa resolução de todas as galáxias!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! zébelê precisa de puxão de orelha!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ZEBELÊ DIZ: Só vou dizer uma coisa: já tinha mandado estas fotos há mais de 2 MESES, você é que provavelmente deletou o meu email SEM LER. Sds
NANASHARA DIZ: zébelê, alto lá! primeiro, não deleto nenhum email sem ler, ainda mais de pessoas autorizadas em minha caixa postal
ZÉBELÊ DIZ: Se não deletou, é porque ainda nem nem leu, pois já tinha mandado há mais de um mês.
NANASHARA DIZ: é pq não chegou, dã........você fingiu que mandou, mas com a idade tá ficando mentiroso! NÃO CONSIGO VER NINGUÉM!!!!!!!!!!!!!
ZÉBELÊ DIZ: Compra óculos, porque eu consigo ver todo mundo.
NANASHARA DIZ: De novo! tem usado a lupa direitinho?????? toma tento e manda por email, mas esquece o picasa! isso não serve pra nada! no dia em que vc quiser uma foto para imprimir não vai ter nenhuma!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ZÉBELÊ DIZ: Para imprimir foto comigo aparecendo, só com autorização, senão eu processo.
NANASHARA DIZ: e eu lá vô querer imprimir foto de zébelê?!?!?! é só pra oiá mió....manda as fotos!
ZÉBELÊ DIZ: mando, mas esta operação pode demorar um pouco...
NANASHARA DIZ: Talvez antes dos sessenta, zébelê?!?!?
ZÉBELÊ DIZ: Quando receberem um email de ZEBELÊ não deletem correndo, como a nossa amiga NANA provavelmente fez, para não deletarem as fotos (isto, quando eu mandá-las, não sei quando será) Sds
NANASHARA PERDE AS ESTRIBEIRAS: putz grila!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! nunca vi piolho maior!!!!!!!!!!!!!!!!!!! manda as fotos, zébelê! vale como presente de aniversário, sábado, caso você não tenha anotado naagenda do mickey.... N.
ZÉBELÊ DIZ: Então vou antecipar os parabéns porque vou viajar para fora na sexta. Felicidades, muita saúde, paz e sucesso. TIRE MUITAS FOTOS. Beijo
NANASHARA DIZ: Zé, leva máscara! Cuidados com os porcos! Boa viagem, N.
ZÉBELÊ DIZ: vou voltar mascarado............ Sds
NANASHARA DIZ: não acredito!!!!!!!!!!!!!!!!!!! é o próprio espírito de porco! acho que quem começou essa gripe foi o Zébelê!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! N.
PEDROLERDOBABY DESAPARECEU DA FACE DA TERRA.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Outono no Rio
Eu e Shee vagamos por um mundo em tons de cinza, bruma e cheiro de grama orvalhada, caminhamos pela estrada reta, não enxergamos seu fim, continuamos passo a passo, firmes em nosso propósito de não pararmos. Ela vai com o focinho parecendo um limpa trilhos de trem, cheirando tudo, mas firme em frente. Subimos e descemos pequenas elevações, e continuamos fortes em frente. Não tem fim essa estrada, o sol já esteve atrás de nós, já esteve por cima de nós, agora começa a baixar lá na frente, em breve virá o lusco-fusco, em seguida a escuridão, a estrada em que andamos não tem iluminação, talvez não tenha luz e continuamos em frente. É outono no Rio e eu acordo empapada em suor de tanto andar.
MPV – abril 2009
MPV – abril 2009
segunda-feira, 6 de abril de 2009
sexta-feira, 27 de março de 2009
Não Reconheço
Não te reconheço em ti. Não te busco porque não te encontro. Não sei onde estás, onde fostes te esconder, como chegastes aí. Mais além, porque chegastes aí. Porque resolvestes fechar tanto a mão por amor. Fechastes mãos, boca, portas, janelas, compartilhar tuas dores nunca foi teu forte, mas tua concha, que aparenta estar aberta, está fechada para olhares mais atentos. É possível que mesmo tu não tenhas percebido as portas cerradas. Não reconheço teu amor assim distante de ti, longe dos teus, como a castigares a ti e aos teus, como se o modelo antigo tivesse te exaurido, como se o modelo novo te aprisionasse, como não houvesse saída, como se a essência houvesse mudado e a essência não muda, lembras? Tua essência sempre foi liberdade, sol, improviso e riso. Não encontro tua essência. Acreditas que o problema está nos outros, mas os outros são tantos e com os mesmos problemas que cabe a pergunta: O problema está só nos outros? Não reconheço teu amor assim distante de ti, longe dos teus, numa constante faxina material como se arrumar o exterior organizasse o interior. Não reconheço teu amor assim distante de ti, longe dos teus, como se não existisse uma imensa e larga escala de cores entre o preto o branco, entre a convergência total e a ausência de todas as cores. Não reconheço teu amor assim distante de ti, longe dos teus, aguardo. Dias melhores virão.
MPV – março 2009
MPV – março 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
Juventude
Ele cruzou o portão principal da universidade em cima de uma bicicleta comum a caminho de casa. Vestia longas bermudas cáqui e camiseta marinho, mochila colada nas costas e cabelos louros curtos balançavam enquanto pedalava contra o vento. Não devia ter mais do que dezoito anos e acompanhei seu trajeto jovem, sentada ao volante de meu carro. Passou embaixo do viaduto, subiu na calçada, onde não há ciclovia e esperou no sinal fechado, como todo mundo. Era a personificação do futuro. Bonita figura do nascer de um homem. Belo exemplar físico do que gerações de cruzamentos variados criaram para o século XXI. Parado no sinal, passou as mãos pelos cabelos e ergueu o torso da incômoda posição das pedaladas. Parado no sinal, esperando como todos, fez planos para o show de logo mais, para o encontro com os amigos, de qual caminho tomar. Avançou antes dos carros, na liberdade de seu meio de transporte, com a inquietação dos vinte anos. O mundo pertence aos vinte anos, nada de mal acontece, a estrada ainda é longa e avançar o sinal faz parte do cotidiano carioca de todas as idades. Seguiu na calçada já com ciclovia e continuou sem esforço, sem pressa, pedalando ao sol dos últimos dias de verão. Imaginei o que faz quando chove. Pega um ônibus? Porque, mesmo que tenha carro, não tinha o perfil de quem se tranca dentro de quatro portas com um motor. Suas pedaladas são sua liberdade, seu caminho, seu desvio. Não... mesmo quando chove, usa a bicicleta. Chega molhado e ri, espera embaixo da marquise, mas não abdica de seu livre pedalar. Acompanhei-o curiosa por mais algum tempo, até que ele virou à direita e eu segui para a Lagoa.
MPV – março 2009
MPV – março 2009
quinta-feira, 19 de março de 2009
Um dia casei
Um dia casei. De verdade, assinei papéis, conversei com o padre, jurei amor eterno. Igreja Nossa Senhora do Monte do Carmo, Praça XV do Rio de Janeiro, o gráfico que imprimiu os convites, orgulhoso, quis escrever o endereço todo só para usar os algarismos romanos da praça. Casei de branco, vestido lindo e véu moderno, esperei no carro dando voltas no quarteirão para chegar na hora marcada para os sinos badalarem. Sempre adorei sinos de igreja. Ainda paro para ouvi-los. No sinal, um menino de rua se aproximou do carro para pedir uma moeda e me viu, naqueles tempos os carros não usavam o filme escurecedor de vidros que hoje em dia carregam. Ele me viu e o sorriso que deu ao murmurar maravilhado: - uma noiva!... carrego comigo até hoje (terá sobrevivido à vida nas ruas?). Quando o carro arrancou, deu um tchau e correu de volta para sua calçada. Noite estrelada, sem riscos de chuva ou trovoadas, meio de junho de um ano perdido lá atrás. As portas imensas da igreja fechadas, convidados lá dentro, alguns do lado de fora ajudavam a arrumar o vestido, quarenta metros de tule embaixo da saia rodada, lindo vestido, já falei? Quando o estilista desenhou para mim, veio com meu nome escrito. Era simples e chique, sem rendas ou bordados e com uns cem mini botões do decote à barra. Um laço imenso, atrás, dava um toque bem da época. O estilista e o irmão já morreram faz tempo, os dois de aids, em épocas próximas. Uma tristeza, eles eram ótimos. Minha prima veio do sul com uma roupa de parar o trânsito e uma estória que até hoje arranca gargalhadas de quem ouve. O máximo. As músicas todas trocadas, nada que havia sido combinado, acabei entrando com a que falei que não queria de jeito nenhum, porque me lembrava programa de auditório da minha infância. Nervosa do jeito que eu estava, ainda assim ouvi a música tocada-trocada. Meu pai me conduziu pela nave, parecia um deputado em eleição, orgulhoso, cumprimentando o povo, em direção a um noivo sorridente. Nada do que se faz hoje em dia eu quis, achava cafonérrimo: não quis cortejo de padrinhos, não quis desfile de convidados e se pudesse, acho que teria entrado pela sacristia. Não quis pétalas caindo na cabeça, não quis fotos no altar e as músicas que quis não tive. Houve uma época em que não se podia usar música popular nacional ou não em casamentos na igreja, e as opções eram poucas para meu gosto de então. O padre, amigo da família, fez uma missa emocionada que só fui assistir no vídeo, claro. E, tempos depois, meu irmão distraído gravou gols por cima na fita, cortando toda a entrada e minhas lágrimas de nervoso. No altar, uma madrinha de preto. Eu havia pedido: preto, branco, vermelho, roxo, não! Lá estava ela, vestida de urubu. Outra madrinha deu o cano na hora. Um padrinho ficou sozinho no altar, só vi lá. Dos quinze, só restam cinco em minha vida. Os queridos morreram, os outros desapareceram na bruma da estrada. Na saída, acho que a tropa do altar veio atrás de nós dois, mas aí já não importava mais. Os cumprimentos demoraram anos, e eu lembrava de minha outra prima que dizia que colocaria um boneco agradecendo quando chegasse sua vez. Lembro vagamente da festa em seguida, sem música porque também achava cafona casamento com música. E naquele tempo era música, não era o funk de hoje em dia... O matrimônio não durou muito, mas a cerimônia, proporcionada por meus pais, perdura até hoje. É uma lembrança linda, que carregarei comigo.MPV – março 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
Como falar de amor?
“Você descreve situações com tanta calma, tanto amor, quem lê o que você escreveu acha que o autor é uma pessoa tranquila... Fale mais de amor...”
Como falar de amor se ele adormeceu, dopado por uma dose cavalar de clonazepam? Como falar de amor se ele viajou, tirou férias de mim, retirou-se de cena e me disse, baixinho, que não sabe se volta? Como falar de amor com contas a pagar, com a falta de dinheiro, com o buraco do peito que desceu para o bolso? Como falar de amor com o menino mortinho de tanto cheirar cola, estirado na calçada, com transeuntes virando a cara? Como falar de amor com o velhinho desconhecido, deitado na maca na esquina da minha rua, ambulância do Samu com sirenes ligadas? Como falar se o erro foi maior que o acerto, se o pijama era três números menor, se a roupa branca não serve mais? Como falar se a ficha caiu, a chuva caiu, a conexão caiu, e eu, caída no chão, emprego imenso esforço para me levantar? Como falar se o olho enche de água só de pensar, se o queixo treme, se os óculos escuros do disfarce foram deixados em outra bolsa? Como falar se eu esqueci de tudo e não sei onde estou? Como se eu fui largando pedaços de mim pelos caminhos, não usei miolo de pão, não marquei trilha para voltar? Como falar de amor se o grito é de dor? Como falar se a Fé me escapa entre os dedos, se ando olhando para baixo, se os ombros estão curvados com tanto peso? Como falar de amor se o que sinto é medo, se o que enxergo é negro, se o que ouço é nada? Como falar de um mundo coletivo, colorido, se não consigo rastejar para fora do meu particular em preto e branco? Como falar de algo que se dá, se eu não sei receber? Como falar de grandes e complexas construções se meu lego veio incompleto, se as peças não encaixam? Como falar de tintas e cores e pincéis se eu não tenho onde pintar? Ou se eu não quero pintar? Ou, ainda, se eu não consigo pintar? Como falar de amor se eu não sei onde o deixei?
MPV – março 2009
Como falar de amor se ele adormeceu, dopado por uma dose cavalar de clonazepam? Como falar de amor se ele viajou, tirou férias de mim, retirou-se de cena e me disse, baixinho, que não sabe se volta? Como falar de amor com contas a pagar, com a falta de dinheiro, com o buraco do peito que desceu para o bolso? Como falar de amor com o menino mortinho de tanto cheirar cola, estirado na calçada, com transeuntes virando a cara? Como falar de amor com o velhinho desconhecido, deitado na maca na esquina da minha rua, ambulância do Samu com sirenes ligadas? Como falar se o erro foi maior que o acerto, se o pijama era três números menor, se a roupa branca não serve mais? Como falar se a ficha caiu, a chuva caiu, a conexão caiu, e eu, caída no chão, emprego imenso esforço para me levantar? Como falar se o olho enche de água só de pensar, se o queixo treme, se os óculos escuros do disfarce foram deixados em outra bolsa? Como falar se eu esqueci de tudo e não sei onde estou? Como se eu fui largando pedaços de mim pelos caminhos, não usei miolo de pão, não marquei trilha para voltar? Como falar de amor se o grito é de dor? Como falar se a Fé me escapa entre os dedos, se ando olhando para baixo, se os ombros estão curvados com tanto peso? Como falar de amor se o que sinto é medo, se o que enxergo é negro, se o que ouço é nada? Como falar de um mundo coletivo, colorido, se não consigo rastejar para fora do meu particular em preto e branco? Como falar de algo que se dá, se eu não sei receber? Como falar de grandes e complexas construções se meu lego veio incompleto, se as peças não encaixam? Como falar de tintas e cores e pincéis se eu não tenho onde pintar? Ou se eu não quero pintar? Ou, ainda, se eu não consigo pintar? Como falar de amor se eu não sei onde o deixei?
MPV – março 2009
segunda-feira, 9 de março de 2009
Cansei
Cansei das brigas e discussões. Cansei dos mal-entendidos em que não adianta tentar explicar que não era bem aquilo. Cansei da chuva que não para de cair e deixa tudo molhado, encharcado, deixa o beco com cheiro de mistura de xixi e cerveja da semana passada. Cansei de sentir dores. Dores nos braços, nas pernas cansadas, com veias saltadas, na barriga endurecida, no peito a dor que não passa. Cansei de me entupir de remédios para acordar, para dormir, para comer, para não sentir dor, para voltar a sentir. Quatorze vidros enfileirados em cima da mesa da cozinha esperam por mim. Cansei. Cansei de estar com as janelas gradeadas, com as portas trancadas, com o telefone à mão. Cansei. Cansei de arrastar meus pés até o banheiro, até a sala, até a cozinha e retornar mais cansada. Cansei. Cansei da TV só funcionar em um canal que não assisto. Cansei de tomar banho. Cansei de trocar de roupa. Cansei de escovar os dentes. Cansei do cheiro de suor pela falta de banho. Cansei de falar uma lingua que ninguém entende. Cansei de mexer meus olhos e não ser compreendida. Cansei de abrir a boca e não conseguir falar. Cansei dos latidos que vêm do vizinho. Cansei das crianças que tocam a campainha e saem correndo. Cansei de tudo isso e um pouco mais. Hoje será minha última noite. Cansei. Amanhã não acordo mais. Cansei. Permanecerei cansada.
MPV – março, 2009
MPV – março, 2009
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